O Governo Não Faz Nada: Façamos Nós Mesmos !!!
É ano de eleições municipais, uma farsa anunciada que se repete periodicamente.
As cidades da Baixada Santista, região na qual se situa o Núcleo de Estudos
Libertários Carlo Aldegheri sofrem com a corrupção e abandono daqueles que dizem que nos representam, nossos governantes.
Em Guarujá, cidade onde se situa a Biblioteca Carlo Aldegheri, a prefeita foi
investigada pelo superfaturamento na compra de alimentos para merenda das
escolas e creches, através de uma CPI. Além de pagar 30 reais pela unidade da melancia, a prefeitura é responsável por prover alimentos de péssima qualidade e
questionáveis no aspecto nutricional, como salsichas e carnes sebosas e estragadas.
Uma Comissão Parlamentar de Inquérito foi instaurada para averiguar o caso, porém, a prefeita Maria Antonieta conseguiu uma liminar da justiça que suspendeu a CPI, e todas essas questões não deram em absolutamente NADA.
Se as investigações tivessem continuado, elas poderiam culminar na cassação da prefeita.
São Vicente passa por um momento complicadíssimo no qual diversos servidores
públicos, médicos e trabalhadores da limpeza não estão sendo pagos e o povo não tem acesso aos serviços públicos, como acoleta de lixo e o hospital.
O descaso é tanto que o nome dos funcionários públicos está ficando sujo, pois os empréstimos consignados são descontados em folha, porém, a prefeitura não faz o pagamento a caixa econômica. Além disso foi descoberto um esquema de corrupção que tem entre os réus um vereador, o secretário de assuntos jurídicos, o diretor da secretaria de transportes operando a lavagem de dinheiro
de facções criminosas através do sistema de transporte público da cidade.
Como se não bastasse, creches municipais têm sido fechadas a algum tempo.
A gestão dos equipamentos foi terceirizada para associações nas quais agestão é autoritária e não tem a menor transparência. Funcionários sem receber a 8 meses, e dinheiro público não falta.
A gestão não dá a menor satisfação aos moradores e diversas mães, pais e crianças têm sido prejudicadas.
Em meio a essa situação, em entrevista recente o prefeito Luis Claudio Bili, ao falar sobre o jogo político em São Vicente afirma "Apoiou? Dáuma creche pra ele!".
Em Santos, a cidade com a maior favela sobre palafitas do Brasil, o prefeito é
investigado por usar o dinheiro dos nossos impostos para pagar apoiadores do seu governo, no que ficou conhecido como escândalo dos chequinhos. Diversas
lideranças de bairro, comerciantes, assessores de vereadores, possíveis apoiadores do prefeito tem recebido esses pagamentos irregulares.
Na mesma proposta suja de usar o dinheiro público para manter apoio político,
a prefeitura de Cubatão é acusada de distribuir licenças-prêmio a funcionários
públicos de até 200 mil reais!!!
Isso para não falar dos problemas que passam as demais cidades da Baixada.
Todos esses casos têm algo em comum: a centralização do poder político em poucas pessoas. Quando um vereador ou prefeito tem em suas mãos tamanho poder, é muita ingenuidade esperar que ele não se beneficie em algum momento.
As câmaras municipais são mecanismos corruptos em sua essência, pois alienam o povo da gestão pública e colocam nas mãos de partidos a responsabilidade que deveria ser das comunidades. Os interesses e alianças políticas, as ambições de ascensão na “carreira” parlamentar sempre vem na frente das necessidades do povo.
É importante reivindicar transparência, só que mais importante ainda é exigir o fim dessa estrutura, pois está claro que somos meros expectadores da política parlamentar que se mostra a cada dia mais ineficaz e criminosa. Não faz mais sentido votar em ninguém! É absolutamente impossível que tão poucas pessoas que compõe o governo municipal possam saber das necessidades de todos os bairros e dos milhares de habitantes. Sendo assim os moradores não
seriam os mais preparados para decidir o que fazer com os recursos? Há quem diga que o povo não é capaz de fazê-lo, será que é
verdade?
No Rio de Janeiro, os moradores do bairro da Barra Mansa reivindicavam a
construção de uma ponte que dava acesso a uma unidade básica de saúde. A prefeitura orçou a ponte em 270 mil reais e alegava não ter dinheiro. Os moradores cansados de esperar a anos resolveram eles mesmos
fazerem a ponte através dos seus próprios recursos e esforços. Eles conseguiram
viabilizar a obra através de mutirões e gastaram 5 mil reais, realizando a obra em
um mês.
Mais um exemplo onde a organização popular através da ação direta e coletiva pode ser mais eficaz que os serviços públicos: em 2015, nos bairros de Marsilac,
Jusa, Barragem e Bosque do Sol, no extremo sul de São Paulo, os moradores não
tinham acesso ao transporte público e reivindicavam uma linha de ônibus que
transportasse os habitantes da região. Após uma série de protestos, inclusive em um deles tendo os manifestantes se acorrentado na frente da subprefeitura saindo com uma promessa de que a linha seria instalada em 20 dias, resolveram criar sua própria linha de ônibus. Fazendo rifas e arrecadando
dinheiro com festas e bingos nas comunidades, eles conseguiram botar em
prática durante alguns dias uma linha de transporte autônoma que atendia aos
moradores com tarifa zero. Nós, trabalhadores, professores, idosos,
moradores de rua, artistas, engenheiros e desempregados, pense no quanto
poderíamos melhorar na educação, saúde e infraestrutura se construíssemos uma plataforma de autogestão popular e tivéssemos a liberdade de decidir o que
fazer com a arrecadação dos nossos impostos através de uma rede de
assembléias populares, conselhos e comissões horizontais, verdadeiros órgãos
de democracia direta e concreta.
Fonte deste artigo: https://bibliotecaterralivre.noblogs.org/files/2016/09/ACAO-COLETIVA-2-set-2016.pdf
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